DE PAIXÃO À VERGONHA
Até pouco tempo, mais precisamente até a final do Campeonato Mineiro deste ano de 2008, eu tinha ORGULHO DE SER ATLETICANO. O time não ganhava nada, não me dava motivo nenhum para se orgulhar dele e os momentos de alegria eram escassos, mas mesmo assim eu continuava fiel e orgulhoso por torcer pelo Atlético. Afinal, venho de famílias tradicionalmente atleticanas (tanto parte de pai, quanto parte de mãe) e desde criança aprendi a AMAR esse clube de uma forma que eu não sei explicar. Desde criança também (criancinha de colo mesmo) vou ao Mineirão. Meu pai sempre me ensinou que, independente da situação do time, meu dever era ir ao estádio e apoiar o time até o fim, mesmo nas piores e inimagináveis situações. Confesso que nos meus 26, quase 27 anos de vida, me lembro mais dos fracassos do Atlético do que de suas conquistas. Por exemplo, nunca vi o time ganhar do modesto Criciúma no Mineirão. No entanto, já vi o time perder a semifinal do Brasileiro em 91 para o São Paulo de Mário Tilico (quando chorei pela 1ª por causa do Atlético), vi o time perder a semifinal para o Corinthians em 94 e uma final em 99, tremer diante do Rosário na Argentina em 95 e perder um título "impossível" de ser perdido, perder a semifinal do Brasileiro para o São Caetano em 2001. Nessas oportunidades, eu vi, mesmo que pela TV, o time do Atlético fraquejar diante dos seus adversários. Vi também o time ser desclassificado pela Portuguesa nas semifinais do Brasileiro de 96, ser goleado pelo maior rival por 5x1 na final da Copa do Campeões em 99, ser massacrado impiedosamente pelo Corinthians em 2002 nas quartas do Brasileirão por 6x2. Nesses jogos, lá estava eu na arquibancada, sofrendo e incrédulo. E em tantos outros, menos importantes, mas vergonhosos do mesmo jeito, como os 6x0 sofrido para o Sport em 2001. Para se ter uma idéia do que é ser ATLETICANO, eu estava em casa sofrendo em 2004 no jogo descisivo contra o São Caetano, por não encontrar ingressos para ir ao estádio. Estava no Mineirão em 2005 quando o time empatou com o Vasco e caiu para a 2ª divisão. Eu cantei o hino após o apito do juiz e saí para um bar da cidade para comemorar o ORGULHO DE SER ATLETICANO, mesmo com o time passando, até então, pela pior fase da sua história. Das alegrias que presenciei de perto, me lembro apenas de alguns títulos mineiros, dos 2 títulos da Conmebol, do título de Campeão do Centenário de BH em 97, de jogos históricos contra o nosso rival (eu estava lá nos 4x0 do ano passado) e das campanhas empolgantes dos Campeonatos Brasileiros de 94, 96, 99, 2001, 2002 e 2003, além da série B de 2006. Eu fui à sede na virada do centenário, saí pelas ruas de preto e branco no dia 25 de março, carreguei a bandeira no carro e cantei o hino apaixonadamente, tudo para demonstrar que independente daquilo que passou, eu ainda era "o mais doente dos atleticanos". Porém, um dia a gente acorda e começa a perceber que nem tudo são flores e que só a paixão cega não vai ajudar em nada. A gente percebe que, por mais que incentive e estoure as cordas vocais de tanto gritar, o clube não vai mudar. Que a incompetência, somada à roubalheira e a outros interesses desconhecidos por muitos, vão minando a nossa paixão. Que times horrorosos, jogadores medíocres e totalmente descompromissados nos fazem desacreditar naquilo que usávamos, muitas vezes, para nos alegrar e nos deixar orgulhosos. Depois do maior vexame da história centenária do Galo na final do Campeonato Mineiro deste ano, meu coração abalou! Se não bastasse isso, logo no ano em que eu mais esperava do clube, somos goleados impiedosamentes por times iguais ou piores que o nosso e ainda por cima tivemos que ver derrotas para times que, acreditem ou não, caíram para a 2ª divisão do futebol mineiro. E o pior, ainda não ganhamos um jogo sequer dos considerados "times grandes" no Brasil. Somando tudo isso, hoje eu posso dizer que não quero mais sofrer. Assim como fez o 06, eu desisto, pois vi que por mais que eu lute, por mais que eu torça, por mais que eu acredite, sempre terão alguns marginais à frente do clube que nos farão desistir de todos os nossos sonhos. E enquanto eles estiverem lá, eu não vou mais sofrer e nem me iludir. Se antes eu era um louco apaixonado, hoje sou um pobre torcedor envergonhado, que não tem coragem sequer de sair pelas ruas usando o manto que até pouco tempo eu considerava sagrado.  ADEUS, GALLO!
Finalmente ontem o técnico Gallo foi mandado embora. Apesar de eu me identificar com o técnico, pela sua história no clube, ele não conseguiu carregar o fardo que lhe deram e sua demissão era inevitável. A propósito, acho que foi um erro contratá-lo no momento em que clube está, carente de títulos e no ano do seu centenário.
BOA SORTE, ALEXANDRE GALLO. QUE VOCÊ CONSIGA SEGUIR SUA CARREIRA E UM DIA POSSA VOLTAR AO ATLÉTICO, QUANDO O TIME ESTIVER ORGANIZADO TANTO NA PARTE DO FUTEBOL, QUANTO NA PARTE ADMINISTRATIVA.
Postado por: Tulio Velloso às 08h18
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